Dr. Bruno Hurtado explica o Câncer Urotelial Alto

Dr. Bruno Hurtado explica o Câncer Urotelial Alto

Por Bruno Hurtado*

 

O carcinoma urotelial alto se origina na via excretora, ou seja, do sistema de drenagem da urina, desde o rim até a bexiga, e compreende os cálices e a pelve renal e o ureter. Tem comportamento e aspecto microscópico parecido com o câncer de bexiga, já que as células tem a mesma origem. Entretanto, costumam apresentar-se invasivos e metastáticos em uma porcentagem maior dada a sua anatomia mais delgada, que facilita a invasão a órgãos adjacentes. Os portadores desta doença tem chance de até 50% de desenvolver a doença na bexiga, visto que todo o tecido urotelial foi exposto aos carcinógenos.

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Entre os fatores de risco, o principal é o tabagismo, mas também exposição à substâncias químicas (trabalhadores de indústrias de petróleo, borracha, tintas etc) e abuso de alguns analgésicos.

 

O principal sintoma apresentando em pacientes com a doença é a hematúria (sangramento na urina). Podendo ainda ocorrer dor lombar unilateral quando o tumor obstrui a via urinária e causa hidronefrose (dilatação da pélvis e dos cálices do rim). Cerca de 15% são assintomáticos e descobertos através de exames de imagem.

 

A tomografia computadorizada é o exame padrão para o diagnóstico, e permite avaliar também os linfonodos suspeitos (órgãos de defesa do corpo em que a doença pode se espalhar). Em casos de dúvida diagnóstica, a ureteroscopia (endoscopia da via urinária, em geral feita no centro cirúrgico com anestesia ou sedação) com biópsia pode ser realizada.

 

O tratamento padrão é a nefroureterectomia radical com retirada de margem da bexiga onde o ureter se insere (cuff vesical). A retirada de linfonodos suspeitos pode aumentar a acurácia do estadiamento e guiar tratamentos complementares, porém não possui valor terapêutico. Para pacientes com rim único, doença renal crônica severa ou com alto risco cardiovascular, pode-se lançar mão de cirurgias preservadoras do rim, como a ureterectomia parcial (retira-se apenas o segmento do ureter acometido) ou tratamentos endoscópicos com o uso de laser (para lesões pequenas, aparentemente superficiais e de baixo grau de malignidade).

 

Em casos de doença metastática, a quimioterapia, semelhante ao câncer da bexiga, aumenta o tempo de sobrevida, porém ainda não há evidências de cura. A cirurgia citorredutora pode ter papel no alívio de sintomas.

 

*Bruno Hurtado, médico urologista da Equipe Urologia Vida

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