Uso de Botox para incontinência urinária

Uso de Botox para incontinência urinária

MARCELLO-PINHEIRO-UROLOGI-V* por Marcello Pinheiro, médico urologista da equipe Urologia Vida

 

Recentemente a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a utilização do uso de toxina botulínica (Botox) para tratamento da incontinência urinária decorrente de Bexiga Hiperativa, doença que acomete cerca de 3 milhões de brasileiros.

A partir de janeiro de 2016 este tratamento faz integra o rol de cobertura obrigatório pelos planos de saúde.

Segundo a Sociedade Internacional de Continência a Bexiga Hiperativa constitui uma síndrome na qual os pacientes apresentam frequência de micções elevadas tanto no período diurno (em geral acima de 8 vezes) como noturno, sensação de urgência (desejo súbito de urinar) associadas ao não á incontinência urinária. A bexiga hiperativa pode tanto ser decorrente de doenças neurológicas como acidente vascular cerebral, esclerose múltipla, lesões da medula (chamada de Bexiga Hiperativa Neurogênica), dever-se ao aumento prostático em homens ou grandes prolapsos genitais em mulheres (Bexiga Hiperativa Não Neurogênica) ou, em grande parte das vezes não apresentar causa definida (idiopática).
Embora ocorra em homens e mulheres de qualquer idade, é mais frequente em faixas etárias mais elevadas. No Brasil atinge cerca de 20% da população apresenta os sintomas de Bexiga Hiperativa, sendo que a forma com incontinência urinária é mais frequente em mulheres.
O tratamento inicial pode ser realizado através da adoção de medidas conservadoras como a utilização de terapia comportamental, técnicas de fisioterapia de reabilitação do assoalho pélvico e a utilização de medicamentos com ação na musculatura da bexiga. Até há poucos anos, nos casos de resposta inadequada a esta terapia e/ou a ocorrência de efeitos colaterais significativos, forçando a interrupção das medicações, as alternativas envolviam procedimentos cirúrgicos complexos e com elevadas chances de complicações. Os avanços nas áreas farmacológica e de neuromodulação permitiram o surgimento de novas alternativas de tratamento, entre elas, a administração intra vesical de toxina botulínica.
A injeção da toxina botulínica na bexiga é realizada através de um procedimento endoscópico através da uretra, de baixa complexidade, com utilização de anestesia local ou sedação e de forma ambulatorial, permitindo a alta do paciente poucas horas após o procedimento. Os efeitos da aplicação têm duração média entre seis a nove meses. Os efeitos adversos são infrequentes e na grande maioria das vezes, de pequena magnitude.
O tratamento com Botox não este indicado para a maioria dos homens que retiraram a próstata por um câncer de próstata ou nos casos de perdas urinárias desencadeadas por esforços (perdas associadas a tossir, espirrar ou ao levantar peso). Quando bem indicada, a técnica de aplicação de toxina botulínica na bexiga produz melhora dos sintomas de modo significativo em cerca de 80% das vezes.
* Marcello Pinheiro, médico urologista da equipe Urologia Vida, atende junto aos Hospitais Sinobrasileiro e São Camilo Ipiranga.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.