Câncer de pênis

Câncer de pênis

Por Dr. Bruno Hurtado

bruno hurtado urologistaO câncer de pênis consiste em uma doença agressiva, com seu pico de incidência em torno da sexta década de vida. O tipo histológico mais frequente é o carcinoma espinocelular (CEC), cuja ocorrência é favorecida por fatores como má higiene, infecção pelo HPV, fimose, tabagismo, líquen escleroso, balanite xerótica obliterante e exposição à radiação ultravioleta.

A circuncisão no período neonatal é um fator protetor ao câncer de pênis, além de diminuir, inclusive, as taxas de infecção por HPV, HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis.

Clinicamente, este tipo de câncer se manifesta como lesão ulcerada, nodular ou papilar. Especial atenção deve ser dada durante o exame físico, momento em que se deve avaliar o folheto interno do prepúcio.  A biópsia da lesão com exame anatomopatológico é imperativa. Aproximadamente 70% dos casos são localizados ao diagnóstico.

O tratamento da doença primária pode variar de acordo com o estadiamento e a experiência do cirurgião. Lesões menores e superficiais podem ser tratadas com substâncias químicas (como o 5-fluorouracil) ou mesmo com laser ou cirurgia. Já lesões maiores devem ser completamente ressecadas e o material enviado para análise. Muitas vezes, devido ao tamanho da lesão, realiza-se a amputação parcial ou total do pênis, sendo que, nesse último caso, é confeccionada uma uretrostomia perineal, que é uma derivação urinária no períneo e o paciente passa a urinar sentado.

É comum a doença se disseminar para os linfonodos inguinais superficiais, profundos e pélvicos, sendo difícil chegar aos órgãos como pulmões e fígado (uma taxa menor que 10%). Na maioria dos casos, é necessário realizar a ressecção desses linfonodos (linfadenectomia inguinal). Quando o resultado é positivo, deve-se complementar com a linfadenectomia pélvica.

Em geral, a doença com invasão locorregional extensa confere prognóstico ruim, com óbito geralmente devido à invasão tumoral direta de grandes vasos sanguíneos e hemorragia, infecção ou inanição. A quimioterapia a e radioterapia, em geral, não têm papel curativo, mas podem reduzir o volume tumoral de grandes lesões irressecáveis para permitir a cirurgia posteriormente ou como paliação.

Dr. Bruno Hurtado é membro da equipe Urologia Vida e urologista assistente nos hospitais Albert Sabin, São Camilo Ipiranga e Sino-Brasileiro.

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