Câncer de Rim

Câncer de Rim

Por Dr. Bruno Hurtado


UROLOGIA-BRUNO-HURTADOO câncer de rim é a segunda neoplasia do trato urinário mais frequente (perdendo apenas para o de bexiga) e a mais letal entre os tumores urológicos (aproximadamente 40%). Manifesta-se mais comumente entre a sexta e a sétima década de vida. Casos diagnosticados em jovens conferem mais agressividade e pior prognóstico. Os fatores de risco associados ao câncer de rim são tabagismo, obesidade e hipertensão arterial sistêmica, porém, há outros supostos, como dieta rica em gordura, exposição à radiação ionizante e a produtos químicos.

As formas familiares são incomuns (somente 2 a 3%) e ligadas a síndromes como Von Hippel-Lindau, papilar hereditário, associada à leiomiomatose familiar e doença de Birt-Hogg-Dubé. Seu tratamento, em geral, deve ser conservador (ressecção parcial do rim ou terapias ablativas), visto o caráter multifocal das lesões.

Patologicamente, os tumores renais têm características peculiares, como a imunogênica (supressão do sistema imunológico que age contra o próprio tumor – após a cirurgia do tumor primário, pode haver remissão de outros focos da doença em até 7% dos casos), angiogênica, com tendência à invasão vascular e formação de trombos tumorais venosos, grande vascularização tumoral e resposta a drogas que impedem a formação de vasos, e proteínas que conferem resistência à quimioterapia. O tipo histológico mais comum é o de células claras (70-75%).

Sua agressividade varia e depende de fatores como tamanho, grau de diferenciação nuclear (Fuhrman), invasão tumoral de estruturas adjacentes e até do sistema venoso, presença de diferenciação sarcomatóide e a presença de invasão linfática e metástases para outros órgãos.

Com o advento de métodos de imagem (ultrassonografia e tomografia), muitos tumores estão sendo diagnosticados em fases iniciais, o que aumenta a sobrevida. Muitos são completamente assintomáticos. Os sintomas mais comuns são decorrentes do volume tumoral, com hematúria (sangramento na urina), dor lombar ou devido a metástases, e sintomas gerais como emagrecimento, perda de apetite e fadiga.

O tratamento é eminentemente cirúrgico, devendo ser realizada a ressecção total do tumor e de metástases, se seu controle for possível. Atualmente, devido ao diagnóstico de lesões cada vez menores e localizadas, tem-se dado preferência para ressecções parciais, seja por via aberta ou vídeo-assistida, com taxas de recidiva comparáveis à cirurgia radical (ainda considerada o padrão), ou terapias ablativas, estas com maior índice de recidiva.

Apesar da difusão de técnicas preservadoras de rim, a nefrectomia radical (ressecção de todo o rim juntamente com o tumor) permanece o tratamento padrão e deve ser preferida para tumores maiores e mais complexos.

As metástases (doença disseminada) podem aparecer em qualquer outro órgão, comumente em pulmões e ossos, e estão relacionadas a desfecho desfavorável (menos de 5% estarão vivos em 10 anos). Nesses casos e em doença localmente avançada pode-se ser tratar de forma não-curativa com drogas sistêmicas, chamadas terapia-alvo, que agem contra os tumores. Estudos recentes mostram que cerca de 10% dos pacientes podem ter benefício com essa terapia, no sentido de diminuir o tamanho dos tumores e torná-los ressecáveis, embora ainda não haja forte evidência de benefício.

Dr. Bruno Hurtado é membro da equipe Urologia Vida e urologista assistente nos hospitais Albert Sabin, São Camilo Ipiranga e Sino-Brasileiro.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.